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THE EQUESTRIAN PROJECT, REDUX | BILLBOARD CITY #2


Nova Iorque, 1 de Janeiro de 2008

Para: Dr. António Costa
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Caro Dr. António Costa,
Inicío esta missiva felicitando-o pela sua recente eleição. Desejo-lhe o maior sucesso nas metas a alcançar, expostas ao publico em geral no decorrer da sua campanha. Escrevo na esperança de conquistar a sua cooperação num projecto que só os poderes abrangidos pelo seu título poderão ajudar a concretizar.
O meu nome é Susana Gaudêncio, sou artista plástica, natural de Lisboa, a viver e a trabalhar em Nova Iorque.
Gostaria que a Câmara Municipal de Lisboa considerasse a possibilidade de concessão de empréstimo da estátua equestre de D. José I no Terreiro do Paço. O monumento foi erigido em 1776, na sequência da renovação urbana liderada pelo Marquês de Pombal, após o trágico terramoto ocorrido em Lisboa no ano de 1755.
Necessitaria que disponibilizasse a estátua pelo período de um mês, o tempo necessário para que um cavalo, a trote, alcance o deserto mais próximo.
Estando ciente da alta estima com que considera o apoio às artes, espero que possa reflectir, com empenho, sobre o pedido acima descrito e assim investir nas sinceras motivações criativas de uma jovem artista.

Atenciosamente,
Susana Gaudencio

The Equestrian Project, Redux, 2008
Vídeo animação transcrita para dvd
4m 20s


Billboard City #2, 2008
Madeira, tinta acrílica sobre impressão fotográfica
41x41x12cm


Sinopse
"The Equestrian Project" manifesta a minha motivação em tornar reais ocorrências improváveis ou impossíveis, através da descontextualização de símbolos culturais e políticos estabelecidos e comportamentos sociais normativos. O projecto envolve-se ainda com noções de psicogeografia e os conceito de dérive e do absurdo.

Este projecto de animação, aqui apresentada em versão reduzida, narra a libertação ficcinada do cavalo de uma importante estátua equestre - D. José I no Terreiro do Paço em Lisboa. Com esta acção, o cavalo de D. José I torna-se obsoleto enquanto símbolo de poder politico, comodidade turística e bem cultural. Através do humor procuro inesperadas mudanças de significado afim de alterar as expectativas do observador.

Biografia
Susana Gaudêncio. Lisboa, 1977
Vive e trabalha em Nova Iorque

Expôs individualmente no Projecto Zoom (comissariado por Filipa Oliveira e Migue Amado) na Galeria Carlos Carvalho em Lisboa, no Project Room do CAV (Centro de Artes Visuais), Coimbra, no Espaço A/C e Galeria Pedro Cera em Lisboa, participou em mostras colectivas na Holanda, Barcelona, Nova Iorque e Liverpool. Inaugurou em Junho de 2008 a exposição Artistas Portugueses - La fora (Organizada pelo Museu da Presidência da República com comissariado de João Pinharanda) em Viana do Castelo. Inaugura, em Janeiro de 2009, uma exposição individual na Galeria Carlos Carvalho e no Project Room da ISE Foundation em Nova Iorque. Terminou, em Junho de 2008, o Mestrado em Belas Artes no Hunter College (City University of New York) enquanto bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana (Bolsa de Estudo de Especialização e Valorização Profissional nos Estados Unidos.)

info:
http://susanagaudencio.blogspot.com

LÁ FORA

Organização: Museu da Presidência da República
Viana do Castelo - Praça da Liberdade - Edifício Arqº Fernando Távora

De 10 de Junho a 30 de Setembro de 2008
Terça a Domingo das 17h30 às 23h00

"Lá Fora" reúne pela primeira vez em Portugal um vasto conjunto de obras e artistas plásticos portugueses que vivem e trabalham fora do país.

Trata-se de uma exposição organizada pelo Museu da Presidência da República, integrada nas comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a decorrer na cidade de Viana do Castelo.

São mais de uma centena de obras, entre pintura, desenho, fotografia, instalação, escultura e vídeo que dão a conhecer, de forma representativa, o trabalho desenvolvido por cerca de 51 criadores portugueses residentes em vários países da Europa, América do Norte e América do Sul e integrados com sucesso nos circuitos da arte contemporânea.

Comissariada pelo historiador de arte João Pinharanda, esta mostra conta com nomes como Rui Calçada Bastos, Filipa César, Suzanne Themlitz, Ana Luísa Ribeiro, Adriana Molder ou Noé Sendas, vindos da Alemanha; do Brasil, Fernando Lemos e Ascânio MMM; Carlos Bunga ou Jorge Leal, da Espanha; Júlio Pomar, Rui Patacho, Diogo Pimentão, de França; da Holanda, Júlia Ventura; do Reino Unido, Paula Rego, João Penalva, Edgar Martins, Bruno Pacheco, entre outros e, ainda, artistas vindos da Suíça, Argentina, Luxemburgo (Marco Godinho), Canadá (Miguel Rebelo) e EUA, este último com várias participações, entre as quais, Gabriel Abrantes, Catarina Leitão, Carlos Roque ou José Carlos Teixeira.

Além dos nomes mais reconhecíveis pelo público português, há ainda lugar para algumas surpresas, como Francisco da Mata, radicado na Suíça, Maria Loura Estêvão (vídeo) e Gérald Petit (fotografia), ambos residentes em França, ou, ainda, o novaiorquino Michael de Brito (pintura), todos luso-descendentes e com um percurso artístico consistente em termos internacionais.

É também ocasião para a exibição de alguns trabalhos inéditos, como as mais recentes esculturas Billboard Cities, de Susana Gaudêncio, ou a série de desenhos Absolut Boredom – Mundo sobre Mundo sobre Mundo, de Catarina Dias.

Mas não é apenas de hoje que emigram artistas portugueses. E é precisamente para ilustrar a historicidade desses movimentos que Rafael Bordalo Pinheiro, Amadeu de Sousa Cardoso, Vieira da Silva e António Dacosta introduzem esta Exposição.

Diversas linguagens, diversos suportes e técnicas, diferentes gerações. Artistas consagrados e novos artistas que emergem com segurança na actualidade. Artistas com obra desterritorializada e artistas que reflectem e questionam, no seu trabalho, mobilidades e pertenças. Esta é uma exposição que abre caminho para várias reflexões, uma das quais a mais evidente: porque tanto se provocam entre si, criação artística e mudança de lugar.

Constituindo um primeiro levantamento da arte portuguesa contemporânea produzida em contexto migratório, esta exposição poderá abrir portas a novas recolhas e novas abordagens, capazes de enriquecer este sempre incompleto mapa da presença portuguesa no mundo.